A importância do iodo para a glândula tireoide
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Notícias: O iodo da alimentação e o câncer de tireóide

 

*Luana de Oliveira Souza - Nutricionista

 A importância do iodo para a glândula tireóide:

            O iodo é um elemento químico essencial, responsável pela síntese dos hormônios tireoidianos, a triiodotironina (T4) e a tiroxina (T3). Estes hormônios têm importantes papéis no organismo: atuam no crescimento físico e neurológico, na manutenção do fluxo normal de energia, manutenção do calor do corpo e uma série de processos bioquímicos, portanto são importantes para o funcionamento perfeito de todos os órgãos do nosso corpo.

            O déficit de iodo conduz ao hipotireoidismo, ou seja, um reduzido funcionamento da glândula tireóide, que pode resultar no bócio (aumento do tamanho da tireóide) no adulto, e no cretinismo na criança, que ocasiona retardo mental e físico. Pode estar ligado com a baixa ingestão de alimentos fontes de iodo. As deficiências de iodo podem aumentar a susceptibilidade para doenças como o câncer de mama.

            Já o excesso de produção de hormônios na tireoide gera o hipertireoidismo, que está mais relacionado com distúrbios na produção do hormônio devido a presença de anticorpos ou nódulos na tireoide, do que com a ingestão de iodo consumido na dieta.

 

            O iodo na dieta:

            No geral, a maior parte da população consome pouco iodo através de alimentos que contenham naturalmente esse mineral em sua composição. Até o século passado, era muito comum a ocorrência dos distúrbios de tireoide por conta da baixa ingestão de iodo na dieta alimentar. Para prevenir o surgimento do bócio endêmico, muitos países passaram a adicionar iodo no sal de cozinha, na forma de iodeto de potássio. No Brasil, essa tentativa se deu a partir da década de 50, mas só depois dos anos 80 conseguiu-se fazer valer a obrigatoriedade da iodação do sal para a indústria. Portanto, nas últimas décadas, a incidência de bócio na população reduziu expressivamente.

 

            O câncer de tireóide:

            É um tumor endócrino maligno, onde ocorrem distúrbios da função tireoidiana. Os casos de câncer na tireoide vem aumentando, mas esse aumento parece estar mais relacionado ao avanço nas técnicas de diagnóstico do que a incidência real na população. Diferentes tipos de células da tireoide dão origem a diferentes tipos de câncer e determinam a gravidade da doença e o tipo de tratamento, mas, no geral, os cânceres de tireoide são menos letais do que em outros órgãos. Mas será que a ingestão de iodo na dieta poderia estar contribuindo para a diversidade dos tipos de câncer tireoidianos observada?

            Sobre o câncer de tireóide de tipo folicular, já é reconhecido que a significativa diminuição do número de casos tem estreita ligação com o aumento na quantidade de iodo que ingerimos em nossa alimentação. Portanto, a iodação do sal tem seu papel importante no controle da incidência desse tipo de câncer.

            Mas será que, por outro lado, o maior consumo de iodo na dieta poderia ser responsável pelo aumento do número de casos de câncer do tipo papilífero (que responde por 80% dos casos)? Em nenhum lugar do mundo onde a iodação do sal de cozinha ou outras medidas elevaram a ingestão do iodo da população, este pode ser demonstrado como fator independente para a elevação da incidência de câncer de tireoide ou de qualquer outro câncer. Nenhum estudo epidemiológico ou experimental demonstrou tal efeito até o momento, embora a ação do iodo sobre o folículo tiroidiano seja inegável e vários estudos epidemiológicos indiquem hiperplasia ou bócio nodular como fatores de risco para câncer de tireoide.

 

            Portanto, para prevenir os distúrbios da tireoide, aí vão algumas dicas para consumo adequado de iodo:

            - É importante consumir alimentos que contenham iodo naturalmente, até porque esses alimentos também são ricos em outros nutrientes importantes para o organismo. Tenha uma dieta equilibrada e saudável;

            - Crie o hábito de comer peixes de água do mar. São excelentes fontes naturais de iodo, além de serem ricos em ácidos graxos ômega-3 e minerais como o selênio e o magnésio;

            - Consuma o sal de cozinha com moderação, para garantir a adequada ingestão de iodo, mas não em excesso para não predispor ao câncer de tireoide e a hipertensão;

            - Consuma outros alimentos naturalmente ricos em iodo, como: frutos do mar, algas marinhas, caldo de peixe caseiro, abacaxi, aspargos e uma série de verduras de coloração mais escura.

 

            Agora, se você está em tratamento contra o câncer de tireóide, você precisa reduzir ao mínimo o consumo de iodo. Leia a próxima publicação sobre o que fazer.

Clique aqui para ler a 2ª parte da matéria sobre o Iodo.

 

   *Nutricionista formada pela FMRP/USP - CRN 3: 27387; Especialista em Saúde da Família e Comunidade - UFSCar; Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Gestão da Clínica - UFSCar; Nutricionista NASF - Prefeitura Municipal de Várzea Paulista /SP .

 

Referências:

KNOBEL, Meyer; MEDEIROS-NETO, Geraldo. Moléstias associadas à carência crônica de iodo. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 48, n. 1, Feb. 2004. Available from

WARD, Laura S.. Epidemiologia do câncer da tireóide no Brasil: apontando direções na política de saúde do país. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 49, n. 4, Aug. 2005. Available from